A Música (1)

Música é uma das maiores e mais poderosas invenções humanas. Ponto.

Sua presença na nossa vida começa com a batida funk do coração materno, quando ainda somos embriões esperançosos, e só vai acabar com a marcha fúnebre.

Só a Música tem o poder de invadir nossa mente e nosso corpo através dos ouvidos, da pele, e sacudir nossos átomos – que estavam ali calmos, quietos, vibrando numa frequência ‘confortável’ – de um jeito tal que acabam acordando nossas sonolentas emoções. Num átimo, tornam-se audíveis e, por que não, visíveis também, nossos sentimentos de amor, raiva, tristeza, alegria, medo, horror, felicidade, vitória, enfim, todos os que eventualmente compõem nosso repertório sensorial.

Cabeça e corpo percebem que aquilo contagia, entram em harmonia com a melodia e você muda seu humor, seu dia a dia. Como flores que surgem na mão do mágico a partir do nada, um buquê de emoções aflora imediatamente e toma conta do ouvinte. E aí, não há como resistir, de qualquer jeito você sai dançando, seja somente dentro da sua cabeça, em pensamentos, recordações – você fica bailando apenas neste seu salão interno – seja usando seu corpo, utilizando todo o espaço que você tem disponível no universo, traduzindo o que você sente em pulos, rodopios, pas-de-deux, pas-de-trois, pas-de-infinitos, uma pá de cal na sua pasmaceira. É um fenômeno que transcende o físico e a Física.

Na verdade, amigos ouvintes, a ideia desta seção é, além de falar da influente forma de arte que é a Música, reunir e mostrar composições que tenham como tema o Homem* (como espécie, claro…).

Daí que, como toda inauguração pede que ‘soem as trombetas anunciando a boa nova’, é com enorme prazer e sem mais delongas que apresentamos a ‘Fanfarra para o Homem Comum’, de Aaron Copland, aqui executada pela Filarmônica de Nova Iorque, sob a regência de James Levine.

Este tema foi escrito em resposta à entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial e sua inspiração veio, em parte, de um famoso discurso de 1942, onde o vice-presidente Henry A. Wallace proclamou o advento do “século do homem comum”.

O maestro Eugene Goossen, que o havia encomendado, escreveu então a Copland: “o título é tão original quanto a música e eu acho que ela merece uma ocasião especial para a estreia. Se você não tiver nada contra, vamos estreá-la em 12 de março de 1943, na época da declaração do imposto de renda”. A resposta de Copland foi: “eu sou sempre favorável a homenagear o homem comum quando chega a época do imposto de renda”.

Que esta seja então uma saudação a nós, homens e mulheres sapiens eternamente comuns. Boa audição.

 

*Aceito sugestões.

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