O Livro dos Porquês para Adultos
(e Algumas Teorias) – Mulheres (1)

Todos os dias, praticamente, uma notícia sobre violência contra as mulheres. Século XXI?
Um bom tema para o primeiro capítulo do nosso Livro dos Porquês para Adultos (e Algumas Teorias).

Para podermos falar com consistência da parte feminina do sistema humano, a mulher, precisamos dar um pequeno passeio fora do nosso belo planetinha, a Terra.

Fazemos parte de um universo em constante transformação. Recheado como está de vários tipos de forças, de átomos e de uma farofa de outras partículas, ele pode ser considerado uma sopa de eternas reações químicas, um caldeirão de transformações incessantes. Desta culinária de elementos e reações surge TUDO: desde corpos celestes tais como estrelas, planetas, cometas, asteroides, buracos negros e assemelhados até ‘sofisticações’ como a vida, por exemplo.

Daí que, como não se pode prever com qual recheio estará o universo daqui a uma fração de segundo, uma boa definição para ele seria a de um sistema caótico, imprevisível. Combinações aleatórias desse TUDO, a qualquer instante, nascem, entram em alguma espécie de equilíbrio, permanecem durante um intervalo de tempo sob algum formato – tempo esse que pode durar desde frações de segundo até bilhões de anos – e voltam a se transformar (morrem?), sem previsão. Construção seguida de destruição seguida de nova e diferente construção seguida de nova e diferente destruição seguida por outra dupla construção-destruição e assim permanecendo ad infinitum.

Aqui, talvez fosse bom falar de uma palavra bonita, mas que significa algo não tão bonito assim: a entropia. Mastigando o conceito (mas não muito…), a entropia mede o grau de desordem de um sistema. Quanto maior a desorganização, maior a entropia, mais perto do fim está o sistema. Em nosso universo, TUDO tende inexorável e fortemente a uma desorganização, a uma desagregação, a um The End, ao que nós comumente chamamos de morte que, no fundo, significa uma transformação. Só que, a necessidade de conservação de energia (Wikipédiaaaaa!) acaba levando a uma nova agregação, um novo rearranjo atômico. Essa tendência ao aumento da entropia não pode ser revertida. Pelo menos ainda não foi observada nenhuma prova em contrário. Ainda não se conseguiu reverter o sentido do tempo, do passado para o futuro, assim como ainda não foi possível ressuscitar um morto. O Dr. Frankenstein bem que tentou, mas a gente sabe que a coisa toda não deu muito certo…

 

Vida, quem é você?

Voltando ao planeta Terra. Já há algum tempo, e além da formação planetária básica, apareceu por estas bandas – não sabemos ainda se em outros planetas também – um tipo de reação, vamos chamar assim, que nós classificamos – utilizando nossos parcos padrões humanos – como ‘sofisticada’, ‘especial’, ‘milagre divino’. Seu nome? Vida.

E por que sofisticada? Porque, aparentemente, ela possui certo grau de ‘inteligência’. É uma reação que parece ter objetivos. Basicamente seriam dois e bem ‘simples’: existir e se reproduzir eternamente. Ah, e quando já tiver garantidas sobrevivência e reprodução, entrar em estado de descanso, aderir ao ócio, recuperar energias, por que nem a mais sofisticada das reações é de ferro. Em tempo: à realização de parte ou de todos estes ‘objetivos’ demos o simpático nome de ‘prazer’.

O fato é que, nesse nosso querido planeta, a vida explodiu em zilhões de formatos diferentes. Desde indivíduos unicelulares (não, não são pessoas que possuem só um celular…) até sistemas mais complexos como nós, humanos. Entretanto, independentemente da complexidade do formato, a vida, por fazer parte desse minestrone caótico que é o universo, não podia ser diferente, ela se comporta exatamente como qualquer outro sistema: nasce, passa um tempo em algum estado de equilíbrio e morre. Olha a entropia aí, gente!

Entretanto, os ‘objetivos’ desta ‘reação inteligente’ denunciam um outro ainda maior: evitar o seu fim a qualquer custo, tentar enfrentar resolutamente a insistente e sempre presente entropia, ir contra essa tendência à desagregação, à morte, lutar contra o caos, insistir de todas as maneiras possíveis em existir e se perpetuar, obter a energia vital de qualquer maneira, mesmo que para isso, e paradoxalmente, seja necessário destruir outras vidas. Em resumo, “farinha pouca, meu pirão primeiro” é o seu lema absolutamente egoísta.

 

Feminino & Masculino & Alguma Teoria

Como dissemos, a Terra foi contemplada com o surgimento de inúmeras formas de vida, sendo que cada uma possui seus próprios modos de existir e se reproduzir. Nós, humanos, assim como algumas outras espécies, e para que pudéssemos cumprir os objetivos básicos da reação Vida, fomos ‘divididos’ em dois sistemas complementares entre si: o feminino e o masculino, fêmeas e machos, mulheres e homens, mães e pais, como tão fofamente os nomeamos.

São complementares porque, apesar de serem autônomos no quesito sobrevivência – podem ir sozinhos a um restaurante, por exemplo – dependem um do outro para que haja a reprodução da espécie. E, nesse caso, possuem funções diferentes.

Os machos de nossa espécie, os homens, carregam consigo 50% da história: nascem dotados de células móveis que chamamos de espermatozoides (que nome…), que darão ao futuro humaninho parte das características do pai. Produzem estas células aos porrilhões durante a vida e permanecem com seu potencial reprodutivo válido e atuante ao longo de toda a sua existência. Para se ter uma ideia, cada ejaculada pode conter até 1,5 bilhão de espermatozoides! Além disso, e por causa dos hormônios específicos, são também dotados de força física, músculos desenvolvidos que, aparentemente, têm, além de outras, a finalidade de repelir e/ou destruir possíveis ameaças. Foram meio que ‘programados’ para se tornarem os ‘protetores-contra-os-perigos-do-mundo’ (santos hormônios, Batman!). Possuem, portanto, em níveis variáveis, uma índole, digamos, ‘entrópica’, com viés para a violência, voltada para a desagregação física de um ‘oponente’. Seriam os representantes da ‘parte destruição’ presente no universo.

Já as fêmeas humanas, as mulheres, ficam com os outros 50% da montagem. Só que, ao contrário dos homens, nascem com seu arsenal reprodutivo, os óvulos, completo e em número reduzido, se comparado ao arsenal masculino. Uma mulher, ao chegar à puberdade, possui um estoque de, aproximadamente, 300.000 a 500.000 óvulos. Durante os próximos 30 a 40 anos de vida reprodutiva, apenas 400 a 500 deles serão selecionados para serem ovulados e, eventualmente, fertilizados. E quando ela chega aos últimos 10 a 15 anos de vida reprodutiva, antes de entrar na menopausa, acelera-se a perda do número de óvulos e a qualidade deles também diminui. Ou seja, por conta dessa ‘limitação’, a mulher, inconscientemente, se torna mais seletiva, os critérios a serem levados em conta quando da escolha do parceiro para reprodução são infinitamente mais restritivos do que os do homem ao selecionar sua(s) parceira(s).

Mais que isso: como as fêmeas em geral, a mulher é o indivíduo dotado de toda a equipagem física e hormonal necessária para acolher o óvulo fecundado, gestá-lo, parir e nutrir o novo indivíduo. É, em resumo, A MAIOR RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DE UM DOS DOIS GRANDES OBJETIVOS DA VIDA. Apesar de mais frágil fisicamente, possui, tremendamente forte, uma índole antientrópica, com viés agregador, construtor, protetor, que luta para fluir na contramão da inevitável e universal tendência à desagregação, ao caos. Seria a representante, por assim dizer, da parte ‘construção’ encontrada no universo.

 

FIM DA PARTE 1

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