Ouvi dizer que, segundo a Astrologia, os que nascem sob o signo de Peixes estão na sua última encarnação. Bom, já me dá um certo alívio. Mas não, isso não significa entregar ponto nenhum, muito pelo contrário. O fato é que, à medida que o tempo passa (e olha que, pra mim, ele já passou um bocado) mais eu constato, e com certeza não sou só eu, o perigoso caminho que a nossa autointitulada ‘espécie superior megaviptopdelinha’ está tomando.  Daí que, pelo sim ou pelo não (quem sabe se essa não é a minha última chance?) me deu vontade de criar e manter este espaço, estabelecer um canal a mais com o mundo, virtual que seja, uma exigência atualíssima, afinal, do jeito que a coisa anda, a virtualidade tem, aos poucos, tomado o lugar da nossa realidade.

Nos dias de hoje, ‘ao vivo e a cores’ aparentemente significa aparecer na Infernet em um celular de tela colorida. Temos medido a intensidade dos nossos relacionamentos pelo número de curtidas ou não, nossos polegares e indicadores nunca foram tão musculosos e ágeis, a informalidade virou informa(tica)lidade…

 

A PERGUNTA

Então, com a leveza de um hipopótamo dançando balé, surge A pergunta: “afinal, que espécie de espécie é a nossa”?

Na verdade, somos altamente criativos quando se trata de autopropaganda. Só que, no final das contas, nossa tão endeusada inteligência nos tornou, sim, a mais ‘deslo(u)cada’ de todas as espécies que vivem por aqui. Ao contrário das outras, não nos satisfaz viver só com a formatação planetária original (ah, joga esse manual fora, quem vai ler isso?). A compulsão para dar o nosso ‘toque pessoal’ é incontrolável, transformar tudo ao nosso redor é a ordem: mexemos sem dó nas configurações básicas de equilíbrio ambiental, loteamos os continentes ao nosso bélico prazer, reviramos o solo em busca de materiais que chamamos de ‘riquezas’, não sentimos o menor remorso em fazer uso e abuso de uma porção de outras espécies viventes, incluindo a nossa própria, para garantirmos mais capacidade de sobrevivência e conforto, ou seja, e não acho que eu esteja exagerando, nos encaixamos perfeitamente numa definição de ‘praga-que-assola-o-planeta’, principalmente porque já somos 7 bilhões e tanto e o jogo reprodutivo ainda não acabou…

Além do mais, nossa sempre-estudada-nunca-entendida consciência nos tornou viciados em querer explicações/respostas para TUDO! Daí que, para acalmar, ou aplacar, a nossa paquidérmica ansiedade por elas, criamos ciências, religiões e assemelhados, ‘caminhos’ que injetamos nas veias diuturnamente e que, com certeza, em algum ponto (Wikipédia?), se tangenciam. O problema é que, na maioria das vezes, e com violência, se tornam mais uma razão para nos desentendermos.

 

MAIS INVENÇÕES

São nossas invenções também, entre outras, as famosas duplas Céu e Inferno, Bem e Mal, Paz e Guerra e, a cereja do bolo, a Vingança, o único e incontestável moto perpétuo de que se tem notícia. Uma vez começado, não para nunca mais.

Aliás, também saltam aos olhos:

– a imensa facilidade que temos para nos desentender pelos motivos mais variados e, às vezes, fúteis – cores de pele, crenças diferentes, comida salgada, trânsito;

– a naturalidade com que matamos – novos ‘facilitadores da morte’ estão sempre sendo inventados;

– o desleixo com que entupimos os mares e o resto do mundo com Everestes de lixo totalmente biodesagradável.

 

O OBJETIVO PRINCIPAL

Enfim, a verdade é que criamos um Circo de Horrores & Bondades* que a cada instante nos surpreende com novas e estranhas atrações. Portanto, respeitável público, essa ‘startup-para-meus-próximos-anos-de-vida’, além de pretender ser um canal de desabafo particular (já deu pra notar?), tem a intenção de abrir um espaço-espelho-da-espécie, onde possamos nos ver refletidos, mas só que vestindo a persona de um ET, que tenta, a partir da observação, deduzir quem realmente somos. E a Internet se presta muito bem a isso por ser uma rede que nos une(?) globalmente.

Porque existirão assuntos difíceis de engolir ‘a seco’, tentaremos, sempre que possível, providenciar uma água humorística para melhor deglutição. ‘Provocações’ serão propostas para que vocês comentem, participem, desabafem também, elogiem, vaiem, estabeleçam/cortem relações, enfim, serão as suas reações e as minhas o verdadeiro elenco, a ‘trupe’, que irá se apresentar neste espaço.

 

*Sim, bondades existem, são muitas, mas pouco divulgadas, na medida em que más notícias sempre geram mais audiência…

PS: Aproveito a oportunidade para divulgar minha campanha “Dê uma chance pra um ser experiente”. Propostas de trabalho são bem-vindas. 8)